Fatos Relevantes : Motoristas da cidade de Goiânia-GO, são os piores do Brasil !!!
Enviado por marcelo em 16/02/2008 (826 leituras internas)

Veículo: O Popular – GO – 26/11/2006

Seção: Cidade

O motorista goiano dirige mal?

Estatísticas que colocam Goiânia no topo do ranking das capitais do País em acidentes de trânsito levantam questionamentos sobre a conduta dos motoristas na cidade diz Renato Queiroz. "Goianada: preconceito de caráter regional e racial contra as pessoas naturais de Goiás, a quem se atribui rudeza e falta de inteligência."

Em 2004, essa definição ganhou status de verbete no índex da cartilha Politicamente Correto & Direitos Humanos, realização inepta de uma idéia equivocada do governo federal. No trânsito - em especial no dos vizinhos brasilienses -, o termo é utilizado com freqüência como sinônimo para quem é inábil ao volante. "Na verdade, isso faz parte da rixa entre Goiás e o Distrito Federal", ameniza o engenheiro de tráfego goiano Ítalo Filizola, do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).

Folclore ou realidade, a fama dos goianos como maus motoristas já chegou aos guias turísticos. Depois de se derramar em elogios pelas áreas arborizadas e pelo patrimônio art déco da capital, o guia da Folha de S.Paulo, alerta para o trânsito de Goiânia, descrito como "problemático". "O melhor da cidade é a quase ausência de favelas; o pior é a maneira agressiva como as pessoas dirigem", avalia o turista mineiro Gustavo Ribeiro.

Os sinais de que algo está errado na maneira como se dirige em Goiás são comprovados pelos números. Estudo recente da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), que analisa dados referentes a 2004, colocou Goiânia no topo do ranking das capitais com as maiores taxas de mortes de jovens (na faixa dos 15 aos 24 anos) por acidentes de trânsito e transportes. A cidade tem a maior frota proporcional de motos do País e o número de automóveis está na faixa de um carro para cada 1,7 habitante.

A taxa de motorização de Goiânia é superior à do Canadá, Áustria, Alemanha e França. Casos recentes nos quais o trânsito foi cenário de explosões de fúria que terminaram em violência e morte reacenderam o debate sobre a direção dos goianos. No dia 12 de novembro, o motorista Wilson Camargo, de 47 anos, foi atropelado e morto após uma discussão com o vendedor de veículos Adonias Gusmão Aguiar, de 47 anos, no Jardim Novo Mundo. Segundo testemunhas, o atropelamento foi proposital. Wilson era casado e pai de duas filhas, uma de 13 e outra de 20 anos.

Origem rural

Apesar de mais evidente em casos de morte, a violência mais comum no trânsito de Goiânia é a simbólica. Fazer uma conversão à esquerda numa pista de mão dupla sem ser - no mínimo - atacado a buzinadas ou ouvir expressões deselegantes é missão quase impossível. O presidente da Agência Goiana de Cultura (Agepel) e historiador Nars Chaul, autor do livro A Construção de Goiânia e a Transferência da Capital (1989), lembra que acidentes de trânsito foram um dos primeiros problemas enfrentados no município. "Era comum crianças e idosos serem atropelados em Campinas. A junção do urbano com o rural foi uma experiência muito forte. As pessoas não estavam acostumadas com a velocidade que a modernidade de Goiânia trouxe", observa.

A calmaria do meio rural foi quebrada repentinamente pelo ritmo frenético e cosmopolita da nova capital. "O fazendeiro dirigia na zona rural com outro nível de contemplação. Ao chegar na cidade, ele se deparou com um tempo diferente daquele com o qual estava acostumado. Mas existe um arsenal de hipóteses para entender a violência no trânsito", ressalta Chaul, que não acredita que o motorista goiano dirija mal. "Quem dirige mal é o cuiabano", provoca.

Assim como em Goiânia, em Campo Grande (MS) muitos motoristas e até técnicos de trânsito evocam a "origem rural" do Estado para tentar explicar o caos no trânsito. Senhores de terras querem supostamente ter na cidade os mesmos privilégios quando circulam em suas fazendas. Expressões do tipo "pode multar, que eu pago!" ou "você sabe com quem está falando?" são comuns. "Mas isso é lenda pura. Uma desculpa que não justifica nada", observa o professor campograndense Rudel Espíndola Trindade Junior, doutorando do Programa de Engenharia de Transportes da Universidade Federal do Rio do Janeiro (UFRJ).

Como acompanha a evolução dos acidentes em várias cidades, Rudel aponta como uma das grandes falhas no País a ausência de um sistema de informações que realmente identifique as causas dos acidentes e explore tendências. "Em Goiânia, a situação não deve fugir à regra. As informações estatísticas não são tão boas e, muitas vezes, nem são utilizadas", explica Rudel, autor do artigo A Miséria Como Causa dos Acidentes de Trânsito no Brasil. Em seu estudo, Rudel provou, cruzando dados estatísticos, que a histórica divisão entre "ricos e pobres" afeta, também, a ocorrência dos acidentes de trânsito.

A relação miséria x acidentes de trânsito, de certo modo, inverte a concepção, tão difundida, de que os acidentes seriam um mal do desenvolvimento. "A análise dos acidentes de trânsito, tomando-se como base apenas as relações tradicionais, como mortes, frota e população, não é suficiente na busca por ações que levem ao pleno entendimento da trágica situação no Brasil", defende Rudel. 'A junção do urbano com o rural foi uma experiência muito forte. As pessoas não estão acostumados com a velocidade que a modernidade de Goiânia trouxe"

Colaboraram:

Assessoria de Imprensa

Departamento Nacional de Trânsito

(61) 3429 3349


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